segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sina do proletariado

No cativeiro ganhando dinheiro. Conto todos os segundos, minutos para sair do puro tédio, fazendo do café meu combustível. Quero respirar o ar de liberdade lá fora, sair desse bloco de gelo feito de concreto e mármore tão frios. Calor humano inexistente, pessoa entra, pessoa sai, passam e dão os bom dias nem sempre tão educados. Um ser invisível na correria diária de cada um, somos seres invisíveis trabalhando cada um em seu cativeiro. Para comer, consumir, sobreviver muitas vezes e poucas vezes viver. Acordar cedo, cumprir hora para ganhar o pão, ganhar experiência, respeito da mãe, ser útil. Café com pão, ônibus lotado, cheiro de cachorro molhado quando chove, todos juntos, enlatados. Empurrados por uma sociedade que muito consome, pouco respeita, muito destroí. Apenas sair, quero sair e ir pro meu teatro é que meu alimento da alma, tirando-me desse tédio que é o trabalho de abrir porta e atender telefone.

Carnal

O tempo não corre, percorre lento, lentamente passando as horas do dia na tua ausência. Injusto que é o tal do tempo passando tão rápido quando estamos juntos. Adoro nosso riso solto, a respiração e o som da tua voz no pé do meu ouvido. Adoro quando estamos juntos nos momentos mais quentes, dos gemidos saindo sem querer de tal forma que se não entrar mais fundo em você sinto que vou morrer. Adoro seus beijos atrás no pescoço arrepiando até a minha alma, deixando todo o pelo em pé, união de pelos, mistura de cheiros, cabelos e toques. Dando-se prazer, fazendo gemer, o calor que sobe, explode e descontrola-se. Do carnal sabemos bem, entendemos todo nosso descontrole, a forma institiva, brutal, animal que nos conecta. O mais primitivo dos ritos onde pouco a pouco vamos construindo a conexão profunda que nos mantém. Não necessita explicação, as palavras são superficiais, conformo-me apenas com o sentir e sinto. Sinto tudo, estou viciada no sentir, quero sentir de novo tudo novamente dentro de mim.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vago

O silêncio ecoa, reflete seus vários significados em minha mente cega.

Incerteza do ventre

Encontro-me em um labirinto de consequências por ter sido leviana, irresponsável. Apenas a possibilidade de ser real atordoa-me. É possível, foram tantas as quedas, as faltas cometidas durante a cegueira instintiva e carnal. Atos impensados que pesam apenas para mim, culpa por ter nascido mulher e portar um ventre que habita vida e seios que alimentam. Nada certo, tantas incertezas. Pisando em um terreno instável, areias de praia onde meus pés afundam e afundam. Rogo pelo tempo que corra depressa e mostre a verdade velada e protegida em meu corpo. Se for certo, estarei sozinha. Culpa por ter nascido mulher, sofrida, frágil, pequena de corpo mas grande de espírito. Alma feminina guerreira dai-me força pra seguir nos caminhos mais turvos e escuros das provas de minha existência. Não estou pronta e também não anseio estar. Tenho tantos sonhos por realizar, pernas tão firmes para caminhar. Tempo, passe o tempo voando e revele todo o mistério a passar por dentro de mim que não quer ser revelado.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Querer-te...

Tortuosa é a espera pelos braços teus, pois o tempo já faz-se injusto ao converter os instantes em séculos ao longo de tua ausência. Anseio cada toque, cada suspiro teu. Tuas mãos a desbravar como fiel navegador a cada curva de meu corpo, onde em momentos de fervor, mares brotam subitamente de nossos corpos em brasa. Braços buscam-se, os lábios sedentos encontram-se e o que sucede é puramente instintivo, animal, brutal. Creio não encontrar mais ar nas horas de despedida. Necessito-te ao lado meu, afagando os cabelos, seios, sussurrando ao pé do ouvido: "quero-te agora e cada vez mais". Eu quero-te por completo, por inteiro, quero-te mais e por demais. Da mesma maneira que deixo-te livre como uma leve brisa, pois sei que sempre a sentirei alisando suavemente a minha face quando necessitar. És feito de perdição, mistério e desejo. Quero-te agora mais e mais, quero-te por inteiro. Nesse querer-te tanto já torno-me insana em uma espera sem fim. Necessito de teus braços, onde faço a minha morada e construo os meus momentos mais tranquilos.

Ontem

Fantasmas do passado velam os meus passos. É teu reflexo perseguindo, persistindo e perpetuando em pequenos gestos cotidianos. Estes trazem a tona memórias de algo que não quero recordar. Nos versos de uma canção antes odiada, nos meus sonhos mais secretos e profundos estão a tua face e a possível volta. O sentimento que permanece é apenas o da lembrança de uma pessoa não mais existente, apenas idealizada teimando em ressurgir. És mera divinização onde em mil cenas ensaiadas e decoradas, penso como poderia ter sido, como poderia ter agido, tudo que poderia ser e não foi. O que foi, foi e nunca voltará. Paixão que permaneceu viva como chama, queimou, queimou tanto por dentro que queimou-me e transformou-se em cinzas. Em meus sonhos voltaste dizendo tantas palavras, porém palavras são apenas palavras e dentro de mim valor algum elas possuem. Tudo mudou, os caminhos escolhidos a trilhar foram distintos. Recordo-me da dor pulsante que por tanto tempo permaneceu qual ferida aberta e das lágrimas que percorreram por toda a minha face. Assim abro os olhos como em um despertar, percebendo tudo que cerca-me e como o hoje é promissor, reconfortante. Tudo prolonga-se pelo tempo que deve prolongar-se. És lembrança do ontem que não voltará e no hoje, és apenas mais um desconhecido.

domingo, 15 de julho de 2012

Inércia

Distante, inerte, afastando-se lentamente. Há um vazio dentro de mim, um grande eco existencial que não cala-se, ecoa apenas pela falta de matéria interna. Inexiste, impossibilitado, indisponível, irrelevante. Em uma grande inércia pessoal e um deserto, deserto de tudo e de todos. Meu estômago aperta, revira-se, revolta-se, tenta ganhar um sopro de vida qualquer em um corpo que é apenas uma carcaça. Lágrimas formam-se lentamente, porém dissipam-se pois não há vontade para faze-las percorrer por minha face. Os dias passam, as horas passam e as estações mudam, mas eu continuo a mesma, suspensa em meu próprio mar de dor. Afastando-se, afastando-se, afastando-se e afastando-se. Simplesmente parada como uma rocha em alguma praia qualquer, deixo-me ser levada pelas ondas. Ao meu redor muda tudo, tudo mudou e continua mudando, mas nada dentro de mim chegou a mover-se. Estou estática em um grande deserto da vida.

sábado, 14 de julho de 2012

A arte do bom perdedor

Encontro-me em um trem sem rumo onde vejo a minha vida passando como se fossem as paisagens. Assisto como mera espectadora apenas acompanhando cada detalhe. Imparcial, imóvel, não agindo para mudar qualquer fato, apenas a mercê de uma grande correnteza de fatos que invadem a minha mente. Alguns momentos uma leve melancolia invade-me sorrateiramente, tomando conta de cada parte do meu ser. Sou fadada ao drama e sempre creí-me dona de grandes destinos. Um sentimento de grandiosidade de "vou mudar o mundo", apenas mudar o meu mundo, o que me rodeia, o que me faz respirar e sentir-me cada dia mais ou menos viva. A verdade é que corro, corro muito, corro sempre e nunca sei direito para que direção. Talvez seja para alcançar os meus sonhos ou talvez para fugir dos meus maiores pesadelos. Seja do que for e para onde for, sempre correndo. Corro tanto que nos momentos de pausa sinto-me inútil, como um brinquedo quebrado pegando poeira em um canto do quarto. A verdade é que permitir-se ao erro também é uma qualidade, porque as vezes quando se perde, ganha-se.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Fascínio diário


O belo me atrai, mas o mistério me apaixona. O teu olhar é fonte vitalícia para minha insaciável curiosidade. Inexplicável ou não, sei decifrar quase cada parte de teu corpo, menos os olhos cujo o significado permanecem ocultos. Estes são precípios de mil quedas para eu lançar-me em busca de cessar minha sede pelo extraordinário. O vínculo do antigo despertado, tão profundo, mágico que não existem palavras para sua compreensão. Apenas sinto, sinto com cada parte da minha alma. No teu lado mais negro velado com cuidado tenho minha fascinação, fascinação por cada pedaço teu, coberto de trevas ou de luz. O mundo parte de equílibrios, a parte interna e vital de cada ser luta por equilibrar-se. Dia após dia vejo o sol partir e a lua nascer em seu lugar, mostrando as estrelas antes tão bem escondidas e ofuscadas. Tenho nestas meu total encantamento e o despertar de quão vasto e intocavél é o universo. Somos apenas duas almas caminhando por este amplo mundo ainda tão imperfeito, tentando entender nossa pequena existência em meio da grandiosidade em que estamos envolvidos. No desconhecido habita a busca por conhecimento e o novo sempre serviu como elixir indispensável para o meu viver. Compreendo de uma forma que trascende o meu entendimento tudo que nos cerca, apenas sei com o que possuo dentro de mim o quanto é especial e raro tudo.

Deixe estar

Os corações partidos, as promessas de dias melhores, todas a desilusões e frustrações, deixe queimar. Deixe estar, por mais que joguem-me para baixo,tratem-me mal, deixe estar. Minha mente está um furacão, meu coração em contraponto está tranquilo. Tenho tantos questionamentos, sinto pontadas em meu peito e apertos em meu estômago por algo que não me pertence. Tudo é mais árduo quando aplicado na prática. Minha mente serve de impulsionador, fazendo surgir questões em uma terra onde não existe razão. Vou sempre escolher meu coração, o ato impulsivo, a queda de um penhasco, a adrenalina de cada momento novo. Não sou uma pedra para viver sempre em equilíbrio, inabalável . Encontro na liberdade minha forma de viver à cada dia. Confesso que por alguns momentos machuca a insegurança de pisar em areias movediças, porém quando pareço cair recordo-me da fortaleza que são os meus sentimentos. A liberdade não funciona de outra maneira, segue sempre suas próprias regras, nunca vem sem responsabilidade e muita cabeça. Cabeça aberta principalmente, compreender o outro e compreender-se. Conhecer cada pensamento que leva-me ao falso e cada pensamento que leva-me ao verdadeiro. O tempo é mestre e é o maior conselheiro, deixo ele transcorrer cada linha, cada momento, sempre dizendo-me o que é real.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O presente é uma bênção

Nos prendemos muitas vezes em coisas não vão dar certo, batemos com a cara na parede, tentamos ir contra a maré em ações equivocadas, porém é em momentos que deixamos apenas o "acaso" agir que surgem os momentos mais especiais. Momentos que escorrem pelos dedos, fogem no tempo. Não podemos controlar quanto o tempo passa descompassado nas horas de felicidade, mas nada apaga os sentimentos fortalecidos em cada lembrança linda. Vivo meu melhor momento, um momento de realização em todas as partes de minha vida. Como é belo sentir isto, perceber que tenho o melhor e apenas o melhor ao meu redor. Atraímos o que queremos, nosso pensamento é poder. Mentalizei o bem e apenas o bem, é natural que o bem retorne à mim. Tenho apenas a agradecer por tudo que passo, pois sou mais que feliz, sou uma pessoa realizada. Agradeço pelo teu sorriso, teu abraço, cumplicidade, por ter te encontrado. Agradeço pelas minhas lindas e preciosas amizades que são jóias tão raras e preciosas nos dias atuais. Agradeço por eu ter a força que eu tenho para lutar cada dia pelo que desejo e por cada dia poder sentir a leve brisa acariciando a meu rosto enquanto caminho.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Agora

Na tua ausência clamo por teu nome, teu toque, teu cheiro e tudo aquilo que a ti pertence. Não existem palavras para descrever a intensidade dos meus sentimentos. Estamos conectados por uma energia desconhecida e maravilhosa. Penso que morrerei sem o calor da tua pele na minha, da mesma forma que te quero tão livre quanto o vento. Entendo teus pensamentos mais profundos mesmo na ausência de tuas palavras. Sinto-me em um lugar seguro, novo mas ao mesmo tempo antigo. Sinto-me conectada de uma forma transcedental com qualquer parte de ti. É difícil traduzir tudo que sucede dentro de mim em versos que por vezes não fazem jus a tudo o que eu sinto. A ideia de que tua preciosa boca, meu foco de desejo e adoração, possa vir a buscar outras bocas pareceria em outros tempos uma tortura sem fim. Porém de alguma maneira que foge-me a compreensão, entendo-te plenamente. Não é necessário nos prendermos em qualquer convenção social, somos tão mais além do que isso. Entendo de uma forma inexplicável qualquer desejo, qualquer pensamento teu. Te quero livre como um pássaro voando, pois sei que independente de onde você voe e precise voar para o teu crescimento, você voltará para os meus braços e meus braços sempre buscarão pelos os teus. Impossível de causar qualquer mágoa, porque no fundo sei que pertencemos um ao outro, uma ligação tão intensa que não pode ser rompida por qualquer súbito desejo carnal. Assim voaremos livres cada qual em sua direção, juntos, separados, por vezes com outros, mas sempre conectados pelos sentimentos mais lindos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Espera


Desejo, simplesmente te desejo. Desejo sentir o toque da tua pele junto da minha. Teu cheiro misturando-se com o meu, formando um perfume que inebria e faz arrepiar até a alma. A vontade de querer a tua pele colada na minha é tanta que já me faz questionar a minha sanidade. A reciprocidade trás uma explosão tão forte de alegria em meu peito... como é possível um ser ter sido feito tão sob medida para mim? Minha felicidade é plena, tão infinita quanto o número de estrelas brilhando esta noite lá no céu. Cada vez que me despeço desse teu olhar sinto um aperto dentro de mim. Minha paz vai junto de ti, sobrando apenas a espera do próximo encontro onde meus lábios sedentos pelos lábios teus matarão a sede em preciosa fonte.